Os Técnicos e os Locutores.

São o primeiro amigo de um locutor! São eles que têm a paciência “ tooooda”  para nos aturarem, gravarem, cortarem, e fazer  a edição do trabalho  até ao produto final. Os técnicos e os locutores devem ser uma equipa.

Acho que são “maltratados”!

Pode ser um choque para muita gente que lê isto. Mas é a minha opinião. É o que sinto e muitas vezes vejo.

Colegas de profissão (sim já vi muito isto, locutores que acham que o técnico é apenas um acessório) que se acham o máximo, as vedetas em seu plano maior, e muitas vezes também pelas próprias entidades patronais onde trabalham a recibos verdes ou até mesmo a contrato ou onde apenas fazem uns “biscates”.

Parte de nós locutores tratarmos os técnicos com o devido respeito que merecem!
Uff! E sabe-me bem dizer isto porque o vejo e sinto todas as vezes que vou a estúdio.
Aqui em Inglaterra o estatuto de um técnico é digno. Até mesmo no salário que aufere. Há grandes diferenças se compararmos, e a profissão é a mesma!

Para mim ao longo destes anos de trabalho, os técnicos sempre foram “o meu grande amigo”.  O meu braço direito. Trabalhei com muitos, com os melhores e com os piores. Mas sempre, sempre os respeitem e tratei como a “peça” mais importante do meu trabalho. Os técnicos e os locutores são uma equipa, e como tal têm de trabalhar como uma verdadeira equipa. Pena que em alguns casos isso não aconteça.

São eles que têm a faca e o queijo a mão!

Um técnico, pode arruinar a sua voz ou pelo contrário dar-lhe mais “pozinhos de pirilimpimpim” como eu costumo dizer. A sua relação com eles define o trabalho final que eles possam fazer.

Luís Andrade, foi o meu primeiro técnico. No tempo em que os locutores ainda tinham técnicos só para os seus programas.

Era ele que acompanhava toda a produção e edição de um programa. Deu-me imensas dicas, ensinou-me, fez-me uma locutora! (sim os técnicos são GRANDES mestres!)

Tanto tinha uma mão para me apontar (sempre de uma forma construtiva) como outra para me acarinhar e acarinhar o meu trabalho. O Luís Andrade confiava no meu trabalho e na minha pessoa, dava-me incentivo, puxava por mim, por vezes “estoirava-me os miolos”, ma o trabalho final saía sempre nas melhores condições.

Ensinou-me o que era brio e ética profissional. Ensinou-me a SER e ESTAR dentro de um estúdio.
Ensinou-me a ouvir e a escutar, a olhar e a ver. E não, não são a mesma coisa!

Tenho muitas histórias com o “meu técnico” (como lhe chamava de uma forma carinhosamente possessiva) que guardo na memória, algumas delas (perdoem-me) só para mim.

Perdemos o Luis Andrade há alguns anos e sempre o hei-de lembrar com a mesma paixão que ele tinha pela sonoplastia e pela rádio. Foi com o “meu técnico” que me lancei nesta viagem pelo mundo da rádio e da voz.

Saudades dos antigos sonoplastas, como assim eram chamados os técnicos de som!

Hoje em dia alguns dos técnicos com quem trabalho ou trabalhei, ainda desenvolvem outra função (isto em Portugal claro) o de serem directores de vozes. Pois não há dinheiro para pagar a alguém que faça o trabalho. Desempenham muito bem este trabalho (embora seja um trabalho extra para o qual deviam de ser pagos) conhecem voz como ninguém! Espero que não desapareçam, pois há no mercado de trabalho uma tendência á polivalência, e hoje um locutor tem obrigatoriamente que ser “um técnico”. Se acho bem? Não. Já não basta os sonoplastas terem quase todos desaparecido quanto mais os técnicos de som!

Gosto dos “meus Técnicos” todos. Tenho por eles muito respeito. E espero sinceramente que os meus futuros colegas, hoje actuais formandos tenham igualmente respeito por esta “figura” importante do mundo da locução.

Aos “meus” Técnicos, só lhes posso desejar o melhor!

Ao “MEU TÉCNICO” Luís Andrade, ser-lhe eternamente grata por todo o valor que me passou e por fazer de mim uma melhor profissional.

BOAS LOCUÇÕES!

Teresa Silva

 

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