Há bem pouco tempo ouvi dizer a um locutor/diretor de Dobragem, reconhecido em Espanha, que a locução teria tendência a desaparecer. Não entendi concretamente ao que se referia, mas se fosse realmente ao mundo da locução em si, diria que o que afirmou, na minha modesta opinião, não corresponde à realidade actual e passa completamente ao lado do que está a acontecer a nível mundial no mundo da Locução (refiro-me aos vários estilos de locução).
Isto dito em Espanha tem outra dimensão que terá em Portugal, certamente. Enquanto em Espanha se luta para que o mundo da locução e Dobragem se inove, e tenha novos caminhos e atitudes perante o mercado de trabalho, em Portugal responder-me-iam logo que sim, é o que vai acontecer.
Lamento. Eu acho que não. E não me venham dizer que defendo isto desta maneira porque dou formação.
Afirmo-o porque sei do que falo. Porque sei o trabalho que tenho. O investimento que tenho feito, acima de tudo os contactos dentro do meio e fora do meu país que tenho tido ultimamente, e que confirmam esta minha percepção.
É um facto que o mundo da locução está a mudar drasticamente. É um facto que a crise que está instalada a nível mundial está a trazer efeitos drásticos ao mundo da locução. Mas enquanto houver ouvintes, como eu costumo dizer, haverá sempre espaço para a locução!
Com as novas tecnologias o locutor pode ter a sua voz em qualquer ponto do mundo, e sei-o por experiência própria. Não precisamos ter um estúdio na principal avenida da principal cidade do país y, ou de nos deslocarmos a determinados locais para fazer alguns trabalhos. Não precisamos ter 453 intermediários até o cliente final chegar a nós. O avanço tecnológico é tão grande e está sempre em mudança, e isto permite trabalhar a partir de casa. É obvio que nem todos os estilos de locução o permitem, como é o caso da dobragem por exemplo, mas outros há, em que este tipo de situação é funcional, e começa a estar implantado em muitos países, e em muitas casas de locutores.
Mas por favor levem-nos a sério!
Com a primeira emissão de rádio do Mundo, também nasceu o primeiro locutor do mundo, Fessenden, em 1906.
Em Portugal, e em muitos outros países da Europa o Locutor não tem uma carteira profissional.
Isto acontece mais frequentemente nos países da América do Sul e América Central. Há nestes países uma maior literacia em relação a estas questões da Locução. Por exemplo; uma das primeiras sociedades de locutores, foi criada no ano de 1943 na Argentina.
Mas em Portugal, ao contrário de outros países, um locutor não é considerado um profissional. Falo é claro em termos estatísticos e de trabalho. Numa repartição de finanças, por exemplo, teremos de ser artistas.
A carreira de locutor, não existe em Portugal, e a formação de um locutor é quase nula. Eu própria, muitas vezes tive de recorrer á América do Sul e á Europa para fazer formação na área.
Será utópico querer que a nossa profissão seja reconhecida em Portugal, como acontece em muitos outros países, em que esta é levada muito a sério?
Pela minha parte farei tudo ao meu alcance para que a profissão de locutor seja levada mais a sério!
Boas locuções!
Teresa Silva

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